Capa - Sarau

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Sarau Equinócio de outono

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Infante destino

Vejo no céu nublado um infante destino de risos domesticados pelo tempo
E de inacabados êxtases, as finas rugas camuflam meu ser
As sensações delirantes arrancam de mim um grito maldito
Da minha boca consagrada de poesia e rogada de prazer, beijo meu mundo
Beijo meu chão de cascalhos humanos
Afino os risos cristalizados no frio desta tarde
Lambendo os cristais da vida, laminados de surpresas
Viver é sentir o gosto do próprio sangue em sua língua
Neste ato cálido ao degustar uma gota profunda de nós
O ponto escarlate de nossa vida

sábado, 28 de novembro de 2015

Moreno

Moreno, minhas costas despidas anseiam-te
Calafrios se enraízam pela minha pele macia
E tornam-se a ligação entre mim e você
Ouço o som dos teus braços acariciando-me
E logo ouço o som místico dos seus suspiros embalando meu pescoço
Teu corpo e pelos se colidindo ao meu
Suspiros, barba, lábios e carícias te representam agora

Moreno de olhos castanhos em espelho
Me assisto ente a sua clarividência ocular de me encarar
Ao estagnar perante seu rosto e logo beijá-lo
Nessa estância narcisista de nós mesmos a nos igualarmos
Nos acariciamos, nos confrontamos e nos juntamos
É atração de nossas essências quando nossas almas se encaram
E vemos ente nossas máscaras de faces um ao outro

Meu moreno te espero nessa noite
Estou exausto do cotidiano
Que os batuques do teu coração sejam minha canção de ninar hoje
E tua carne meu travesseiro
Seu sorriso meu colchão
E nossa companhia mútua, nosso céu.


quinta-feira, 23 de julho de 2015

Poema de chagas

Abro minhas palavras com todo sangue de mim
Com mais sangue que escorreu em um tronco
E com mais sangue do que o batismo de um feto na barriga
E com mais força que toda dor que o mundo sente

Quando escrevo versos solteiros de alegria
Pode ser raiva transpassando minhas falanges
E pode ser apenas por opção de escrever assim
Pois a alegria é força rente a alma e recito com ela

Faz o que queres sem a alegria de alguma lei
Leciono o presente, modulando meu sorriso
Em cada ângulo um sentimento intruso

Eles não sabem o sentido exato da minha existência
Nada sabem e injetam as leis em veias frias
Em ruas abandonadas e bonecos de passeios.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Ventos turvos

Entre os ventos turvos desta manhã 
O frio é o acesso dos meus poros para os seus lábios 
O acesso de tua alma entrando no meu olhar 
Vi sua vida entrando na minha e estagnei admirando com atenção 
Uma ventania carregada no meu interior de sentimentos, que não sei explicar, abate minha voz e o silêncio é minha foz desse momento. 
Me lanço no silêncio como se esse tivesse braços a reerguer e pavimentar as oscilações de meus gritos interiores. 
Pedindo calma a mim e mais uma dose de silêncio 
Silêncio é festa, é preposição do meu pretérito e possibilidade do meu destino 
Sopro sobre meus dedos um sopro turvo vestindo como uma luva, aquecendo como uma mão quente que deseja acariciar minhas costas. 
Acaricio-me, uma dose de vinho por favor! 
Uma dose de amor para abastecer meu sangue e alma!

domingo, 22 de março de 2015

Boticária poesia

Eu sou uma poesia em questão na boca de famintos homens
Na náusea de uma rotina sem vida
Em um instante oco, profundo e louco
Um palpite entre a carne e pele arrepiando meus poros
De loucos famintos das minhas palavras
Esperam de mim discursos hediondos
Mas meu silêncio é espantoso em pensamentos
É conversa para os poetas mortos
Os poetas da minha estação pró vida
Aqueles que suas cinzas desenham em minhas folhas partes de mim
E de um passado rogado de desterro e amor
As vozes dos poetas batucam nos meus ouvidos
Inserindo a mim multidão de vozes ditando vida a mim
“Seja poeta, meu caro, manipule suas palavras aqui
E se disfarce entre palavras e fórmulas
Entretanto, seja poeta, caro boticário em lapidação”
Cheiro de vinho ao redor, evaporando suas moléculas
Fazendo do ar bêbado minha bebida de inspiração
Seja poesia vida!